quinta-feira, 29 de maio de 2014

De saudade e idealismo




A jornalista, atriz e contadora de histórias, Francine Brandão, vive experiência  como professora de Arte, em nossa escola. Foi breve sua passagem entre aulas, alunos e colegas professores, mas foi intensa. Aqui ela despede-se dos alunos. Mas já somos convidados para ouvir suas histórias pelos espaços culturais desta cidade.


Jornalista, atriz, contadora de histórias e professora



De saudade e idealismo

Queria contar para vocês como chega uma professora semi nova ao ensino público: carregada de sonhos, com a bagagem até pesada de vontade de melhorar o mundo pela educação. Não funcionam jogos teatrais? Vamos pelo funk político. Enjoaram? Dá-lhe “contação” de histórias. Sem ideia como começar a contar as de vocês como pedi? Dou aula “montada” no figurino, de peruca e conto a minha...
“Era uma vez um bebê que quando nasceu passou quatro meses chorando. A mãe dava chá, peito, sumia das festas quando ela passava os bracinhos pela testa, um dia cansada colocou ele meio brava no berço:
- Chora aí que nada te acalma!
O bebê riu. Daí ela chorou. Pediatra dizia que era cólica, fome... Um dia, a mãe, com esse olhar de águia materno, cismou que tinha uma nata naquele olhinho e convocou o marido: “vamos ao oftalmologista”? Tinha alguns no convênio da fábrica do pai. Ela escolheu o mais perto. Era glaucoma congênito, que sobre a pressão do olho, deixa os olhos grandes e põe qualquer bebê para chorar. Só dois médicos faziam essa operação. A divina providência levou eu e minha mãe num deles. Conheci outros com o mesmo problema sem metade do que enxergo. Esse bebê é a antiga professora de artes de vocês, que conta a história para explicar o quanto acredita em milagres”
Talvez fossem histórias assim que esperava que me contassem. Mas como me acusa um amigo: “pô, você vive 100 anos? Já fez tudo”. Quase... mas tenho 36. Também conto a história por ter me ocorrido, que por conta do estica e puxa da minha córnea, lá dentro dos olhos, enxergo diferente mesmo: olhei para vocês e ao contrário de tudo que ouvi, dentro e fora da escola enxerguei crianças.
Não fiquem ofendidos. O escritor Rubem Alves, que entende muito de educação, diz que a adolescência é o prolongamento da infância. Via em vocês aquela fase “descômoda” de deixar morrer a criança para vir o adulto, sem se desapegar da infância e nem se atirar à fase em que “todas as responsabilidades do mundo caem nos nossos colos”. Estava um tantinho parecida: precisando deixar partir a velha jornalista, o que fiz antes de ensaiar ensinar artes para vocês, para “parir” a professora. Na comunicação eu já estava desgostosa, não acreditava em mais nada, só queria era fazer matéria em casa de pijama e abrindo a boca de sono...
Com a educação não! Tinha ensinado redação para quase adultos (pausa para rir), teatro para semi novos como eu e inglês para crianças e executivos, em movimento social, faculdade, empresa e no Parque da Juventude. Pronto, a gente já supõe que este é mesmo o caminho da revolução: educação! Não administram o dinheiro? Escola! Abusos? Escola! Criatividade? Escola! Preparar para o trabalho? Escola! Dos professores se espera mesmo que façam das tripas coração. E juro que fiz o que podia: fui tirando do baú da contadora de histórias ideias que nem sabia ter... Mas uma semana depois que pedi para saber as histórias de vocês, dos 400 que ouviam as ideias dos vídeos, as dinâmicas, as fotos... Uma dúzia me contou. E eram curtas e grossas, eu queria drama, riso, lágrimas... Agora me ocorre que para mim, que escrevo histórias desde novinha como a Natalia Anatólio – sempre em frente garota! – era simples: uma família que perde o amigo, mas não a piada, uma mãe dramática e eu, exagerada como típica sagitariana, só sei por minhas histórias para fora aumentando, pondo doses de ironia, humor negro... Agora me ocorre que peguei pesado com vocês. Não sei se quem não teve mãe contando história ao pé da cama, vô escrevendo as memórias, tias e primas, incontáveis, tornando tudo muito mais divertido do que realmente foi isso é uma lição de casa que se preze.Levei projeto, mas precisava de mais parceiros. Tive ideia de proposta, mas faltava material. Queria levar tanto vídeo para vocês que ia monopolizar a sala da TV. Carreguei tanta coisa para propor em sala que meus ombros pediram trégua. Só de passar a lição na lousa me entupi inteira de alergia e precisava da voz, por contar história fora daí, em festa, lançamento de livro... Achei que minha animação não contagiava tantos quanto precisava.
 Daí me chamaram para um trio irresistível: contar história, fazer feira de livro, exposição educativa, festa junina, cuidar dos livros... E entre uma coisa e outra, poder ler! Quis isso criança, quando “morava na biblioteca”. Mas não pensem que esqueci dos alunos carregando meu material, ouvindo o que explicava e perguntando espantados “é mesmo prô”?, perguntando da minha religião, se tinha filho, qual o signo, se era hippie, porque não raspava o braço (respeitem a alergia dos branquinhos “minha gente”), usando minha peruca, me parando no corredor para saber se ia para a sala deles, cobrando porque estava faltando, cantando comigo, dividindo histórias da avó comigo, né Érica? É que quando comecei a questionar em que contexto um educador que amo escreveu suas teorias, desconfiei que precisava ir embora antes de duvidar de tudo que podemos fazer para que os olhos de vocês brilhem e consigamos mudar o mundo. A gente tem que ser meio Che Guevara para carregar diários, falar entre uma brincadeira e outra, passar lição, planejar como ensinar, de que forma vencer os bloqueios de vocês... Meio não. Precisamos ser Che de saias, já que a educação tem tanta mulher. Não queria sair à francesa, para combinar com meu nome. Mas ia ser um desaforo tumultuar um dos poucos dias em que não estavam elétricos nas aulas de quem consegue deixá-los mais calmos que eu. Professor tem que bater e assoprar. Eu assoprei até ficar sem fôlego. Não tinha ideia como “bater gentilmente”. Obrigada por também me ensinarem: é adolescente, não aborrescente. Por lembrar o quanto foi uma fase dificultosa e aumentar meu treino de compaixão: quem não passou por isso? Lembrem da prô meio maluquinha como no livro do Ziraldo quando ouvirem “alecrim, alecrim dourado”... ou “se essa rua, se essa rua fosse minha”. Nós nos tatuamos irreversivelmente um no outro. Para o memorável e o dolorido.
 “Grudem” nessa biblioteca, pois como eu quis ter uma nas minhas escolas! Agarrem o que estes repetitivos professores oferecem: é que o tempo voa mesmo! E quando disserem que são tagarelas, bagunceiros, desinteressados, briguentos, sejam o contrário, que adolescente típico tem que contrariar. Desculpe por não ser boa em despedidas e me dar melhor escrevendo que falando. É que estou como meu amigo, nada de acenos chorões dando tchaus com lencinhos encharcados. Ainda nos veremos por aí. Mais do que imaginamos.



Quer saber  sobre o que mais ela escreve? É só acessar aqui.


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Piquenique Literário.




Fome de leitura, vorazes leitores?




Venham  fazer parte de nosso Piquenique Literário, no dia 31 de maio, das 15 às 17 h. 

Fome de saber?

Fome de cultura? 

Fome de gostosuras? 

Quer conhecer com calma  e tranquilidade os livros novos que chegaram? 

Conversar com colegas que também leram aquele livro tão querido?

Deseja comentar sobre o último livro que está lendo? 

Gostaria de saber como formar um clube de leitores?

Nós vamos saborear textos e outras delícias!





















terça-feira, 20 de maio de 2014

Bia e Os Góticos




Os Góticos - Contos Clássicos- Vampiros , múmias , fantasmas e Outros  Astros da Literatura de Terror. Uma coletânea de vários escritores , editora Melhoramentos.270 páginas.
É o novo livro que chegou em nossa biblioteca. A primeira coisa que vi foi a capa , simplesmente chamativa( beeeem chamativa),mas vamos ao que importa : o conteúdo ! O livro trata de pequenos contos e poemas  de terror  de vários escritores clássicos como Edgar Allan Poe, Mary Shelley,Bram Stoker, entre outros.
Os que eu mais gostei  : Uma taça feita de um crânio humano de Lord Byron ( poema) , O Vampiro, de John Polidori , A Pata do Macaco, de W. W. Jacobs  , Dickon, o Diabo, de Le Fanu . 
 Uma Taça Feita de um Crânio Humano :
"Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
...Podeis de vinho o encher! "
-Lord Byron ( a parte que mais gostei , pois é um poema grande )

   O Vampiro : é simplesmente a melhor coisa que já li sobre vampiros .  Nesse conto temos um vampiro sanguinário , que ataca apenas mulheres virgens e que costuma enganar as pessoas . E simplesmente é a história de como ele apareceu na vida do jovem personagem principal . O conto que mais amei,simplesmente o melhor que conheço !
A Pata do Macaco : eu já tinha lido um outro conto que havia sido baseado nesse , e com certeza é muito inspirador . O conto  trata de como nossos desejos podem ser ruins , no caso , ele juga a ganância de um senhor . O desejo dele é concedido , porém algo muito importante é levado em conta.
Dickon , o Diabo :  Para não acabar com o mistério , só posso dar alguns detalhes : Cidade pequena , habitantes estranhos e fantasmas....
Então , se gostar de terror , este livro é feito para você !

 Beatriz Saab ( aluna do 8ºano C ).


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Futebol e mais nada.

Quem disse que futebol e poesia não dialogam?

E o bailado esportivo, quem  consegue ver?


Falta pouco para o início da Copa . Os álbuns de figurinhas  do evento ainda estão incompletos. Muitas informações sobre copas passadas estão nas redes sociais. Notícias sobre as obras que se encontram em andamento não param de passar nos noticiários da TV. Em manchetes, os jornais anunciam: Não vai ter copa. Vai ter copa sim. Dá até para sentir no ar a torcida para que  a execução dos projetos não deem certo. A imagem de um país que fracassa em um evento como este, será a imagem do país e seu povo. É o país que ficará marcado pela incapacidade em organizar eventos internacionais. Os investimentos já foram feitos, não há volta. Então  TEREMOS COPA SIM. E enquanto esperamos por ela, que tal um pouco de poesia e informação? Sim, FUTEBOL E POESIA !

O LOCUTOR ESPORTIVO  

A voz que narra vibrante                                       
um jogo da seleção
inventa tanta palavra
inventa tanta emoção
que há sempre um gol quase feito,
uma jogada de efeito,
um toque de maestria,
um drible que não existia,
um coelho na cartola,
um perna de pau bom de bola,
um novo craque surgindo,
a bola que passa tinindo...

É tanto apropelo,
é tanto berro,
que haja coração,
de aço ou de ferro!

A voz do locutor
quase deixa o ouvinte louco.
Pra ele, tudo é sempre...
...por pouco!
Muito pouco, pouco , pouco!

O bailado esportivo. Guedes, Hardy. Editora Prumo, 2009.

A METÁFORA DO HOMEM

Que fazem os jogadores
quando entram em campo?
Jogam.
Que fazem os torcedores
quando assistem a um jogo?
Torcem.
E enquanto jogam e torcem,
sofrem.
Deve ser bom torcer assim.
Por algo do qual não se conhece o final.
O previsível que não se prevê.
O gol que não acontece.
O choro de um, desconsolo de outro.
Futebol deveria ser, por isso, eleito
a metáfora do homem.
Nenhum sofrimento se iguala,
nenhuma alegria o supera.
Somente a vida.

Em: Futebol e mais nada - um toque de poemas- 

terça-feira, 13 de maio de 2014

Os livros secretos

Nathália Cristina,voluntária da biblioteca.




 "Os livros secretos Witch" , foram meus. Eles fizeram parte da minha infância e hoje eu não os  leio mais.  Então decidi fazer uma doação para a Biblioteca, pois eu vi que as alunas do período da tarde gostam muito desse tipo de livro. Quer conselhos para guardar segredos? Saber o valor de uma amizade? Como sobreviver na escola? Sobre meninos, namoro e paixões? Podem começar por estas leituras. Que assim como eu, façam novas descobertas, e que não fiquem apenas com estas primeiras experiências de leitura. Que livros como estes, sejam apenas  o ponto de partida para novos prazeres pelo mundo da leitura. 

Vamos nos encontrar na biblio do P.A.?

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mais leitores, mais acervo, mais colaboradores.




Esta é a nossa nova equipe de voluntários, que estudam no período da manhã e colaboram  conosco no período da tarde .Da esquerda para a direita : Nathalia Cristina, Natália Lacerda, Camila Castro,  Paulo e Erica, que é voluntária, no período da manhã, e estuda no período da tarde. Por que  decidiram pelo trabalho voluntário  na biblioteca em que estudam? Porque são leitores e fãs de carteirinha deste espaço.
  
A Nathalia Cristina gosta de livros de suspense, romance e ficção. Está lendo o livro: Under the dome (sobre a redoma, Stephen King) de seu acervo particular. Natália Lacerda adora livros de aventura, romance e ficção, e no momento, "devora" Cidades de Papel, de John Green, nosso novo livro por aqui. Camila Castro gosta  mesmo é de boas histórias de terror com "pitadas de romance". A Série: Diários do  Vampiro, de L.J. Smith, não sai de suas mãos atualmente. O Paulo está na fase : "Amo Mitologia."E a mitologia nórdica é sua nova paixão. Acabamos de receber Fúria Nórdica -Sagas Vikings- e ele já está com a obra em mãos.  Erica gosta de livros góticos e de muito terror. O último livro que leu  de nosso acervo foi O Desaparecimento de Katharina Linden, de  Helen Grant.

Com esta equipe de jovens leitores,novos leitores logo surgirão. 
Antes da chegada do novo livro.


Ela foi a primeira a ler  o novo livro, do novo acervo.


"Estamos só dando um tempinho até  a abertura  da biblioteca..."

Quem já leu?